Após ter corpo perfurado em acidente doméstico, criança passa por cirurgia delicada para retirada de vergalhão

Segundo médico, o ferro não atingiu a coluna e nenhum órgão por questão de centímetros.
Leonardo Freitas, 11 anos, se recupera da cirurgia de retirada do vergalhão — Foto: Ascom IPG/Divulgação

Era para ser um plantão rotineiro de domingo, mas o dia 31 de março reservava um grande desafio para os plantonistas do centro cirúrgico do Hospital Municipal Dr. Alberto Tolentino Sotelo, em Santarém, oeste do Pará. Uma cirurgia delicada, de alta complexidade, foi realizada para retirada de um vergalhão do lado esquerdo das costas de um menino de 11 anos.

Leonardo Freitas teve um acidente doméstico após ter ido ao quintal de um vizinho buscar uma bola. No local, o menino se deparou com uma barra de ferro utilizada para exercício físicos. Ele começou a simular os movimentos, mas a base de madeira que segurava a barra cedeu e o vergalhão caiu perfurando e ficando preso às costas da criança.

“Ele disse para o irmão, eu acho que quebrei minhas costas. Na hora que vimos foi terrível, eu fiquei em estado de choque”, relatou Patrícia Freitas, mãe de Leonardo.

O temor da mãe era o mesmo dos médicos e enfermeiros que atenderam Leonardo no HMS: o risco de a coluna ou algum órgão ter sido afetado.

“Quando a coluna é atingida, as chances de tirar os movimentos das pernas é grande. Pensar nessa possibilidade me deixou apavorada”, revelou Patrícia.

Pedaço de vergalhão retirado das costas do menino Felipe Freitas — Foto: Ascom IPG/Divulgação

Apesar de Leonardo Freitas ter chegado com os sinais vitais estáveis, o quadro era muito delicado. O caso não era comum. Havia o risco de perfuração do intestino. A cirurgia que o menino precisava era de alta complexidade. Nesses casos, a medida é encaminhar para um Hospital que atenda esse porte cirúrgico, como o Hospital Regional. “Nós sabíamos que o tempo era fundamental para evitar sequelas ou até algo pior. Acionamos os especialistas de plantão para que a cirurgia fosse realizada no HMS”, contou o diretor do hospital, Itamar Júnior.

Segurança

Para garantir que a cirurgia seria realizada dentro da margem de segurança, a criança aguardou 14h para entrar no centro cirúrgico, tempo suficiente para realização de todos os procedimentos necessários. Foi necessário a realização de vários exames de imagem, laboratoriais e um laudo médico conciso antes de Felipe ir para sala de cirurgia. “Nosso trabalho não é só cortar e retirar, precisamos de todo um suporte antes de realizar qualquer procedimento. Tudo foi feito em tempo hábil”, conta o cirurgião pediátrico Carlos Sinimbu, médico que chefiou a cirurgia.

De acordo com Sinimbu, após a análise dos exames de imagem foi descartada a possibilidade de o vergalhão ter atingido a coluna, a dificuldade foi encontrar uma posição certa para fazer o corte. “Não podíamos puxar o ferro, por que era um gancho. Quando o vergalhão entrou, levou a camisa do menino junto pra dentro. Abrimos do lado, ressecando plano por plano até chegar no ferro”, explicou o médico.

Sinimbu que atua há 10 anos como cirurgião, confessou que nunca tinha visto um caso como esse em uma criança. Ele disse ainda que o objeto não atingiu a coluna e nenhum órgão por questão de centímetros.

“Chegou muito perto. Foi um milagre. O anjo da guarda dele o salvou”, disse Sinimbu.

Participaram da operação um cirurgião pediátrico, uma cirurgiã, um anestesista, um ortopedista e a equipe de enfermagem.

Leonardo Freitas recebeu alta na quarta-feira (3), após dois dias da realização da cirurgia. Segundo o HMS, o quadro é estável, e a recuperação em casa traz mais benefícios para casos em que a cirurgia é realizada com sucesso.

(Blog Agora Notícia )

Fonte G1 Santarém Pará

waldemir

Radialista/Blogueiro,

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