Criação inadequada e abate clandestino de animais põem em risco a saúde dos santarenos

Representantes da Adepará e Vigilância Sanitária orientam a população sobre o alojamento de animais em residências e a compra de carne de origem duvidosa.
Aves são alojadas junto com tijolos, móveis, sem uma estrutura específica para a criação — Foto: Reprodução/Redes sociais

Criar galinhas no quintal de casa parece ser uma prática inofensiva. E caso estes animais estejam em condições sanitárias ideais, com os dejetos recolhidos pelos donos e não importunando os vizinhos pelo odor ou barulho, realmente não há problema. A situação se agrava quando os bichos não estão alojados como deveriam, incomodando quem está próximo. E piora ainda mais quando há o abate e a venda clandestina de animais.

Uma telespectadora da TV Tapajós, que preferiu não se identificar, mandou fotos e um vídeo mostrando a criação de aves do vizinho em Santarém, no oeste do Pará. Nos registros, pode-se notar que os animais estão alojados em uma estrutura que não é específica para a criação, junto com tijolos, móveis antigos e, aparentemente, sujos. Além disso, a água que é dada aos animais aparece com uma cor mais escura e as aves parecem fazer muito barulho em uma área totalmente aberta

onfira o vídeo abaixo).

Criação de animais em residências

Para esclarecer as dúvidas sobre a criação de animais, o G1 procurou representantes da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará) e da Vigilância Sanitária. Ambos confirmaram que não há lei que proíba o alojamento de uma pequena quantidade de animais, mesmo em residências na zona urbana.

Animais são alojados sem uma estrutura específica para a criação — Foto: Reprodução/Redes Sociais

No entanto, o produtor precisa ficar atento com as condições em que esses animais estão submetidos e, principalmente, ao incômodo que aquela criação pode causar. No caso do abate para consumo próprio, recomenda-se também que haja um local específico para esta prática.

“Dentro da área urbana, existe toda uma legislação. Código civil, Constituição Federal, o direito da vizinhança. Para que esse animal possa ficar na residência, ele precisa estar condicionado em relação às doenças. E o abate precisa ser feito em um local e de forma que não incomode os vizinhos”, destacou o coordenador da Divisão de Vigilância Sanitária, Walter Mattos.

A Vigilância Sanitária só pode realizar fiscalizações em residências por meio de denúncias e conseguindo um mandado judicial para avaliar os animais. No entanto, quando a criação não é mais para subsistência e sim vira um comércio, o órgão pode interditar a venda da carne, que na maioria das vezes, foi abatida de maneira totalmente irregular.

“Precisa-se de toda uma condição sanitária. Como são residências, precisamos de um mandado judicial para entrar e coletar esses animais. Mas quando a gente caracteriza um comércio, que há o abate para vender, aí a gente faz a apreensão. A maioria desses animais foi abatida de forma imprópria e em locais inadequados. A medida é recolher a carne para não expor o consumidor ao risco”, completou.

Walter Mattos orienta que população denuncie venda clandestina de carnes — Foto: Gustavo Campos/G1

Já a Adepará faz o acompanhamento, junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), das condições de criação animal, sobretudo no âmbito rural, por meio dos cadastros dos produtores e dos rebanhos. Em relação às criações em residências da área urbana, a grande preocupação é com o abate clandestino destes animais.

A gerente interina da Adepará em Santarém, Andreza Scafi, explicou que a chegada da carne abatida irregularmente ao prato do consumidor representa um risco muito grande à população. E que o abate de animais para a comercialização precisa ser realizado em estabelecimentos com certificado de inspeção, com profissionais especializados e seguindo a legislação e as condições sanitárias.

“Os abates clandestinos são feitos da pior maneira possível. Geralmente, esses animais já têm algum tipo de doença e se forem para um frigorífico, serão condenados. Para não haver a perda econômica, há o abate e a venda feitos clandestinamente. E quem consome, se expõe a riscos de doenças”, afirmou Scafi.

“Se há o produto clandestino, é porque há o consumidor. Mesmo com a fiscalização dos órgãos competentes, enquanto houver esse mercado existirão casos. Desconfie logo. Produto muito barato, é preciso saber a origem dele”.

Andreza Scafi destaca o risco de se abater animais em locais clandestinos — Foto: Gustavo Campos/G1

Quem quiser criar animais na residência, pode procurar a Adepará ou Ministério da Agricultura para receber orientações de como aloja-los de maneira regular, respeitando as condições sanitárias, de alimentação e o direito dos vizinhos próximos.

E quem encontrar uma criação irregular de animais e venda clandestina de carnes, deve procurar os órgãos competentes, que são a Vigilância Sanitária, o Serviço de Inspeção, a Adepará e o Mapa.

A Vigilância Sanitária fica localizada na Avenida Moaçara, n° 735, no bairro Diamantino. O telefone para contato é o (93) 99155-4907.

Já a sede da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará em Santarém está endereçada na Avenida Curuá-Una, n° 538, bairro Santíssimo. Os números para contato são (93) 98405-0114 e 98415-1463.

(Blog Agora Notícia )

Fonte G1 Santarém Pará

waldemir

Radialista/Blogueiro,

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