‘A Perfuga não vai terminar agora. Ainda há muito o que investigar’, diz promotor Rodrigo Aquino

Além de tudo o que foi levantado nas investigações, fatos novos foram relatados por réus e testemunhas.

SANTAREM

Há mais de um ano, o promotor Rodrigo Aquino, do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) participa ativamente das investigações que levaram à descoberta de um esquema de corrupção sem precedentes na Câmara Municipal de Santarém, no oeste do Pará. As investigações levaram à deflagração da operação “Perfuga” que completa um ano nesta terça-feira (7), e de acordo com o promotor, ainda está muito longe de chegar ao fim.

Em entrevista Rodrigo Aquino fala sobre o quadro de corrupção sistêmica na Câmara de Vereadores, do aumento no número de denúncias a partir dos desdobramentos da operação e da abertura de canais de comunicação com a sociedade, a expansão das investigações para outros municípios, da surpresa de fatos revelados por réus e testemunhas e da expectativa pelas primeiras sentenças que devem sair ainda no segundo semestre de 2018.

O início

Durante a entrevista, Rodrigo Aquino disse que no início das investigações, as autoridades envolvidas não esperavam se deparar com um esquema de corrupção como o que encontraram.

“A primeira fase da Perfuga surgiu e nós não tínhamos ideia do que viria pela frente, e quando nos deparamos vimos um mundo de irregularidades, de crimes, de desvio de dinheiro público. Isso nos surpreendeu e fez com que a própria administração do Ministério Público pudesse nos dar exclusividade para ficar à frente dessa investigações, porque o volume foi crescendo. Hoje nós já estamos na 9ª fase, e descobrimos um quadro de corrupção sistêmica na Câmara de Vereadores de Santarém. Já estamos expandindo isso, inclusive, para outros órgãos, para outros municípios, embora os processos e os procedimentos estejam sob sigilo”, disse.

Em outro trecho, destacou que o quadro de corrupção não tem a participação de todos os vereadores e nem de todos os servidores. “Isso é minoria. Mas o que nós descobrimos foi um desvio muito grande. Infelizmente esses desvios ainda não cessaram, inclusive decorrentes de outras gestões, mas é preocupante, porque do ponto de vista do Ministério Público enquanto fiscal da lei, nós percebemos que esse dinheiro se bem empregado poderia trazer resultados mais satisfatórios para a sociedade”.

O promotor ressaltou ainda que a corrupção vinda de um poder que tem por função básica fazer as leis e ao mesmo tempo fiscalizar o executivo é ainda mais grave, pois é um poder decorrente de um mandato conferido pelo povo.

“Percebemos que esse corrupção endêmica deu uma diminuída, embora não tenha cessado. Mas isso é pontual e nós estamos ainda investigando as condutas que continuam erradas”, afirmou.

Às vezes parece um valor pequeno, mas é dinheiro público e o desvio tem que ser combatido”, disse Rodrigo Aquino

Investigações

Segundo Aquino, pelo volume de informações que o MPPA está recebendo, há ainda muita coisa a ser investigada. “A nossa estrutura talvez nem dê conta de tudo isso. Nós criamos canais com a sociedade local da região. Por incrível que pareça já recebemos denúncias de municípios bem distantes de Santarém, que nós por uma questão de sigilo não vamos dizer, mas que não tem nada a ver com a região. Isso mostra o quanto a sociedade quer falar e que as irregularidades e ilícitos acabem, e o interesse também em colaborar com as autoridades, com o MP, com a polícia, enfim”.

Para o promotor, investigações como as da Perfuga são importantes porque trazem a população para o cenário do que está ocorrendo, e em especial, para que a sociedade saiba o que se passa nas entranhas do poder, nos bastidores. E para que numa próxima eleição o cidadão possa escolher com mais cautela o seu representante e cobre que as autoridades investiguem, porque o dinheiro público é de todos. “Às vezes parece um valor pequeno, mas é dinheiro público e o desvio tem que ser combatido. Esse é o momento em que a sociedade tem que ficar alerta, saber quem são os candidatos, se são ficha limpa”.

Provas e audiências

Rodrigo Aquino explicou que a operação Perfuga levou um tempo para desenvolver um ritmo mais acelerado porque o MPPA queria ter a segurança de que estava reunindo provas seguras e concretas, por isso também algumas ações demoram a ser ajuizadas.

“Semana passada tivemos três instruções já encerradas e há probabilidade de que as sentenças comecem a sair ainda no segundo semestre, condenando ou absolvendo réus. Mas o volume de informações não diminuiu, pelo contrário, ele cresceu. A probabilidade é que a Perfuga com os desdobramentos continue por muito tempo ainda”, frisou.

Surpresas

Ao longo de um ano desde que foi deflagrada a “Perfuga”, alguns fatos surpreenderam o promotor Rodrigo Aquino. “Nos surpreendeu o empresário que foi denunciado em vários processos, Westerley Jesus de Oliveira, pela forma que revelou os detalhes do acordo que tinha feito com Reginaldo Campos. Nós tínhamos o lado do Reginaldo, de alguns servidores e fechou quando tivemos a confissão do empresário, que é o outro lado. Até porque o desvio do dinheiro público não ocorre unilateralmente”, contou.

O promotor ressaltou que o ex-vereador Reginaldo Campos não desviava dinheiro público só porque ele determinava ou queria. Ele precisava de pessoas que concordassem e aderissem ao plano dele, servidores ou particulares. “Isso do ponto de vista de quem está olhando de fora é muito preocupante porque você vê que o dinheiro que era para ser bem empregado estava sendo desviado para fins particulares e político-partidiário”.

“(…) você vê que o dinheiro que era para ser bem empregado estava sendo desviado para fins particulares e político-partidiário”, frisou Rodrigo Aquino.

Legado

Tal qual a operação “Lava-Jato”, o promotor Rodrigo Aquino espera que a “Perfuga” deixe um legado para novas investigações.

“Acho interessante que tal qual a Lava Jato deixou um legado e abriu portas que nós também possamos abrir portas para que outros municípios façam suas investigações. É obvio que do porte da operação Perfuga talvez não porque aqui nós temos uma estrutura muito boa que outros municípios ainda não tem. Não vejo que a Perfuga vá terminar agora, nós gostaríamos de poder dizer acabou, não tem mais desvio de dinheiro público. Mas tem e nós precisamos combater até que possa diminuir”, finalizou.

Blog Agora Notícia 

Com Informações  G1 Santarem Pa

waldemir

Radialista/Blogueiro,

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