Sindmepa acompanha apuração sobre morte de idoso no Hospital Municipal de Santarém

A morte ocorreu no dia 08 de julho. Em nota, o sindicato critica o linchamento público de médicos após repercussão do caso.
Antônio Oliveira da Fonseca faleceu no HMS, por hemorragia digestiva alta (Foto: Reprodução/TV Tapajós)

SANTAREM


O sindicato dos Médicos do Estado do Pará (Sindmepa) se manifestou por meio de nota sobre a morte de idoso de 57 anos por hemorragia digestiva alta, no Hospital Municipal de Santarém (HMS), ocorrida no dia 8 de julho, e diz que está acompanhando a apuração.

O sindicato “contesta as calúnias e difamações” sofridas pelo corpo médico e demais profissionais do hospital após denúncias de que o paciente teria morrido por falta de assistência.

Por meio da nota, o Sindmepa conta que ouviu associados que trabalharam no atendimento ao idoso Antônio Oliveira, e que, pela dificuldade do procedimento, o paciente foi encaminhado à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e após o quadro se estabilizar, recebeu alta e foi levado à Clínica Médica do hospital.

Ainda segundo a nota, três dias depois da cirurgia, Antônio havia recebido um possível sangramento residual ou novo sangramento e foi transferido para a sala de reanimação, sendo observado conforme a rotina para observação de pacientes potencialmente graves.

Segundo a família, Antônio passou cerca que dois dias em jejum e sem assistência médica no local. Ele foi transferido da UTI após a realização da Endoscopia Digestiva Alta de urgência. De acordo com familiares, houve negligência no atendimento.

Em entrevista o advogado dos médicos, José Capual, contou que os profissionais só foram acionados quando o procedimento já havia sido realizado e que não houve negligência por parte deles. “Não houve recusa. Não houve solicitação. Isso é o que estão dizendo. A gente tem que pegar o prontuário e verificar o que, de fato, está lá. Não houve nem o requerimento de um suporte anestésico. A equipe que realizou o procedimento optou por realizar sem a presença do anestesista que sabe que, pela própria resolução do Conselho, isso é ilegal. […] O procedimento foi feito de forma clandestina no hospital”.

O Sindmepa afirma que, caso seja necessário, “irá acionar por meios legais os responsáveis por possíveis excessos”, considerando a repercussão que o caso teve, e diz que não permite o “linchamento público e sem direito à ampla defesa frente à diversidade de comentários nas mídias sociais”.

O Sindicato declarou ainda que “não medirá esforços para melhorar as condições de trabalho para que toda a população possa receber o tratamento esperado e com qualidade e que todos os profissionais, médicos ou não, possam ser valorizados no seu ambiente de trabalho”.

Entenda o caso

Antonio Oliveira era portador de doença crônica no fígado, com manifestações em outros órgãos (varizes esofágicas). Ele deu entrada no Hospital Municipal no dia 30 de junho com quadro de hematemese e varizes de esôfago, que exigia um procedimento cirúrgico através de endoscopia, porém o hospital não tinha a estrutura necessária para realizar a cirurgia.

A família não teria tempo de levá-lo ao Amazonas, onde realizava procedimentos periódicos, e pela demora em ser transferido para o Hospital Regional, pediram ajuda de três médicos amigos da família, que realizaram o procedimento cirúrgico sem a autorização da direção do HMS.

Por não ter sido uma cirurgia planejada, não havia leito na UTI, bolsa de sangue e aparelho para auxiliar na respiração do paciente, mas segundo o HMS, foram providenciados imediatamente.

Após dois dias de internação na UTI, o paciente recebeu alta para a clínica médica. O tratamento continuou. Porém, por se tratar de uma enfermidade crônica, o quadro piorou depois de quatro dias de internação clínica. Infelizmente, o paciente não resistiu. Na manhã de domingo, 8 de julho, ele faleceu.

O caso foi parar no Ministério Público. Familiares fizeram uma manifestação pelas ruas de Santarém pedindo justiça.

Blog Agora Notícia

Fonte G1 Santarem Pa

waldemir

Radialista/Blogueiro,