Médicos fazem primeiros transplantes de rins de doador morto em Santarém

Até o dia 24 de maio, só haviam sido realizados transplantes de rim de doadores vivos no Hospital Regional do Baixo Amazonas
Hospital Regional de Santarém é referência para mais de 1,1 milhão de pessoas dos 20 municípios do oeste do Pará (Foto: Geovane Brito/G1)

SANTARÉM


A Associação dos Renais Crônicos de Santarém, no oeste do Pará, está em festa pela realização do primeiro transplante de rins de doador morto no município. Os rins do doador morto foram transplantados para duas pacientes renais crônicas, na tarde de quinta-feira (24), no Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA).

Desde novembro de 2016, o HRBA vem realizando transplante de rim em Santarém, porém, até ontem, o procedimento só ocorria entre pacientes vivos. O primeiro renal crônico transplantado em Santarém foi Raimundo Soares, na época com 50 anos. Ele recebeu o rim do irmão Leandro Soares, que tinha 34 anos em novembro de 2016. O procedimento durou cerca de seis horas, e doador e transplantado se recuperaram bem.

Para o presidente da Associação dos Renais Crônicos de Santarém, Miguel da Conceição Maciel, a realização do primeiro transplante de rim de doador morto, é uma notícia muito animadora para todos aqueles que estão há anos se mantendo vivos por meio das sessões de hemodiálise. “Esse procedimento só foi possível por causa de um esforço que está sendo feito para dividir a fila de transplantes. A proposta é que os rins de doadores daqui, sejam transplantados para pacientes daqui mesmo, desde que haja compatibilidade. Do mesmo modo deve ocorrer com os órgãos captados em Belém”, explicou.

Miguel Conceição lembrou de quando começou a luta dos renais crônicos para a realização de transplante de rim em Santarém. “Nós iniciamos essa nossa luta em 2012. Foram vários encontros com a secretaria Municipal de Saúde, a Sespa, o Ministério Público e o Hospital Regional. Ainda levou alguns anos para que os transplantes começassem a ser feitos em Santarém, e hoje, graças a Deus, isso é uma realidade. E com a possibilidade de transplante de doador morto, nós acreditamos que muito mais pacientes serão beneficiados e terão a chance de uma vida melhor”, disse.

A expectativa agora é para que o Hospital Regional do Baixo Amazonas passe a fazer ainda em 2018, transplante de fígado, uma vez que conta em seu quadro com equipe habilitada para o procedimento.

Condições para transplante

O transplante renal é considerado a mais completa alternativa de substituição da função renal. Tendo como principal vantagem a melhor qualidade de vida, pois o transplante renal garante mais liberdade na rotina diária do paciente.

No caso de doadores falecidos os rins são retirados após se estabelecer o diagnóstico de morte encefálica e após a permissão dos familiares. O diagnóstico de morte encefálica segue padrões rigorosos definidos pelo Conselho Federal de Medicina.

Vários exames são realizados para se certificar que o doador apresenta rins com bom funcionamento e que não possui nenhuma doença que possa ser transmitida ao receptor. O sangue do doador será cruzado com o dos receptores, e receberá o rim aquele paciente que for mais compatível (menor risco de rejeição) com o órgão que está disponível.

Para receber um rim de doador falecido é necessário estar inscrito na lista única de receptores de rim, da Central de Transplantes do Estado onde será feito o transplante.

Os critérios de seleção do receptor são compatibilidade com o doador e tempo de espera em lista.

Blog Agora Noticia

Fonte G1 Santarem-Pa

waldemir

Radialista, Blogueiro, Reporter