No Pará, 328 mil jovens não trabalham nem estudam

Uma geração de jovens sem perspectivas para o futuro tem crescido
Wagner Santana

PARÁ


Uma geração de jovens sem perspectivas para o futuro tem crescido de forma assustadora nos últimos anos no Brasil. É a geração de jovens “nem-nem”, que não estudam nem trabalham. No Pará, já são cerca de 328 mil pessoas entre 18 e 24 anos nessa situação, na maioria mulheres que encontram dificuldades para entrar no mercado de trabalho, mas que, por outro lado, não buscam profissionalização acadêmica e profissionalizante. É como dizer que um a cada três jovens paraenses se encontram nessa situação.

Os dados foram divulgados ontem, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) mostra que, nos últimos dois anos, no Pará, houve crescimento de 9% de novos jovens inseridos na geração “nem-nem”. Foram pelo menos mais 27 mil pessoas absorvidas pelo grave momento econômico vivido pelo País.

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Entre os motivos mencionados na pesquisa que contribuem para o aumento da parcela “nem-nem” estão: a dificuldade para pagar despesas com estudos; a obrigação de cuidar dos afazeres domésticos e a dificuldade de conseguir emprego em tempos de crise.

Como consequência das dificuldades econômicas, essa geração aumentou em todo o país. De acordo com o IBGE, de um ano para o outro, houve um aumento de 5,9% nesse contingente, o que equivale a mais 619 mil pessoas nessa condição.

MULHERES

O momento econômico ruim atinge homens e mulheres de forma diferente. Na análise segundo o sexo, 17,4% dos homens de 15 a 29 anos não estavam ocupados nem estudando ou se qualificando, enquanto 28,7% das mulheres na mesma faixa etária estavam nessa condição.

 

 

A pesquisadora do IBGE, Luanda Chaves Botelho, atribui essa condição feminina à exigência dos cuidados com a casa e filhos, que acabam sendo uma barreira para a entrada de muitas mulheres no mercado de trabalho. “Quando a gente investiga os jovens homens ‘nem-nem’, você tem um meio a meio entre aqueles que procuraram ou não trabalho. E, quando você investiga a relação desses homens com afazeres domésticos, vê que não é um vínculo tão forte como acontece com as mulheres”, conta.

De acordo com a pesquisadora, as características dos “nem-nem” se mantêm com o tempo. “São características estruturais. A gente observa que, entre os ‘nem-nem’, há uma predominância dos jovens que, além de não estudarem e não trabalharem, não procuraram trabalho. E, entre estes jovens, a gente percebe também uma predominância das mulheres.”

Além disso, a pesquisadora enfatizou que a desocupação não pode ser apontada como causa principal da condição de “nem-nem”.

NÚMEROS

27 mil – É a quantidade de jovens que passaram a fazer parte do grupo de pessoas sem afazeres no Pará nos últimos dois anos.
5,9% – Foi o aumento de desocupados no Brasil de um ano para o outro.

Blog Agora Noticia

(Luiza Mello De Brasília)

waldemir

Radialista/Blogueiro,