PARENTES DE JATENE CUSTAM R$ 3 MILHÕES AOS COFRES

POLITICA


No ano passado, a advogada Jeniffer Araújo foi nomeada ao cargo de Defensora Geral do Estado, pelo governador Simão Jatene. Entre os três defensores escolhidos, em eleição, pela categoria, Jeniffer foi a menos votada. À frente dela, havia mais dois defensores. Mesmo assim, Jatene resolveu, numa decisão arbitrária e que – segundo a Associação dos Defensores – menosprezou a vontade da categoria, nomear Jeniffer Araújo para comandar a Defensoria do Estado.

Mas esse não é o maior problema. A polêmica nessa questão é que Jeniffer é muito próxima da família Jatene. Ela é casada com o também advogado Eduardo Araújo, que, por sua vez, é sócio de Beto Jatene, filho do governador. Não foi a primeira vez que Jatene é acusado de favorecer familiares e pessoas próximas à sua família. Longe disso. O governador tem, pelo menos, 17 parentes em cargos comissionados, espalhados pelos Poderes e em prefeituras do Pará, incluindo filhos, sobrinhos, irmão, nora e genro (veja no infográfico abaixo).

Nepotismo

A grande família Jatene custa aos cofres públicos cerca de R$ 240 mil por mês. Ou seja, são quase R$ 3 milhões que saem do seu bolso – caro leitor – e vão parar na conta corrente dos Jatene. É dinheiro suficiente para adquirir mais de 7 mil cestas básicas, que poderiam ser usadas para alimentar as crianças das escolas estaduais, que sofrem com a falta de merenda. O que Jatene faz ao empregar parentes em órgãos públicos tem nome: nepotismo. E se já é ruim quando ocorre na iniciativa privada, pior ainda em se tratando de recursos públicos, já que consome dinheiro que poderia ser aplicado em escolas, estradas e hospitais, para atender ao povo. No caso de Jatene, há todo o tipo de parente empregado em diversos órgãos oficiais.

Um dos casos mais absurdos é o da filha do governador. Há pouco mais de 1 ano, Jatene nomeou a própria filha, Izabela, ao cargo de secretária Extraordinária de Integração de Políticas Sociais. Detalhe: a tal Secretaria Extraordinária foi criada pelo papai governador especialmente para a filhinha querida, que, para exercer a função, recebe R$ 21 mil. Ela ficou famosa pelo caso do “dinheiro”, ao ser flagrada numa ligação telegônica em que pedia ao atual secretário da Fazenda, Nilo Noronha, a lista das maiores empresas do Pará, para “tirar um dinheirinho deles”.

Infelizmente, o Supremo Tribunal Federal (STF) afrouxou as regras antinepotismo, ao considerar que secretários de Estado são agentes políticos, de livre nomeação do mandatário. No entanto, a decisão do Supremo também foi no sentido de que há necessidade de examinar tais nomeações, para verificar se constituem tentativa de burlar a Lei. Em quase todo o Brasil, o MP aperta o cerco contra tais nomeações. No Pará, não é assim.

Por esquema, Beto Jatene já foi até preso

De tão sujas, as armações da família Jatene já resultaram até em prisão. No mês passado, o filho do governador, Beto Jatene, foi preso pela Polícia Federal, na Operação Timóteo, acusado de envolvimento numa quadrilha, investigada por corrupção em cobranças judiciais de royalties da exploração mineral no Estado. O filho do governador é suspeito de ter embolsado quase R$ 800 mil no esquema. O curioso é que, ao que tudo indica, o cargo público ocupado por Beto Jatene -ele é assessor da Procuradoria do Ministério Público (MP) junto ao Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) – foi fundamental para facilitar os negócios da organização criminosa no Pará.

 

 

 

 

 

 

 

POST:WALDEMIR SANTOS

INFO:DOL

waldemir

Radialista/Blogueiro,